A esperança está na internet

Medo. Ansiedade. Angústia. Apreensão.

Representada pela palavra da lingua inglesa que significa financiamento colaborativo, a prático do ato de arrecadar dinheiro em função de causas diversas vem se tornando cada dia mais popular em solo brasileiro. Nascida nos EUA com a criação do portal eletrônico Kickstarter, em 2009, começou a se desenvolver no Brasil ecom o surgimento de diversas plataformas como Catarse, Sibite, Vakinha.com.br e juntos.com.vc, caracterizado por ser um dos primeiros sites a arrecadar para projetos de impacto social e para tratamentos.

Box. Foto: Érica Baggio

Estes são os sentimentos presentes diariamente na vida de pessoas que descobriram recentemente doenças graves e veem seu futuro por um fio de navalha. Agora, suponha descobrir que sua doença não possui o tratamento adequado no seu país e você não tem os recursos financeiros necessários para começar um tratamento de qualidade. Situação para a qual alguns encontraram uma saída em um lugar pouco provável: a internet.

Atualmente, a internet é um meio de comunicação global e por esse fato” causa certa insegurança”. No entanto, as campanhas de arrecadação de dinheiro para tratamento de doenças vencem a desconfiança e mostram uma maior sensibilização da população em relação a pessoas desconhecidas mas que necessitam de ajuda para vencer uma batalha.

O crowdfunding, popularmente chamado de “vaquinha”, no Brasil, é o nome dado ao ato de arrecadar dinheiro na internet para financiar diversas causas. A prática iniciou com o propósito de apoiar ideias criativas que não recebiam incentivo de grandes empresas. No entanto, com a ajuda das ferramentas digitais, atingiu outras áreas além da criação, sendo uma delas o campo da saúde, que se tornou pretexto para criação de campanhas de arrecadação de dinheiro.

Vidas salvas por desconhecidos

Bethina, 3 anos, da cidade de Santa Maria-RS, nasceu prematura de 25 semanas e possui uma lesão grave, o que acarretou paralisia cerebral. Segundo texto publicado no site Vakinha.com.br, a possibilidade de uma vida normal para a filha fez com que a mãe, a advogada Viviane Saccol, 35 anos, optasse por um tratamento de reabilitação com médicos renomados no Chile. Sem recursos financeiros suficientes para tal, a família decidiu criar uma campanha na internet para que seu tratamento de reabilitação neurológica pudesse ser realizado. O valor necessário para o tratamento era de 90 mil reais e foi arrecadado cerca de 75 mil reais em uma campanha sem muita repercussão na mídia.

Já a situação de Leonardo Konarzweski, 22 anos, foi diferente. Segundo matéria publicada no site do Zero Hora em 11 de março de 2015, Leonardo foi diagnosticado com linfoma de Hodgkin. O jovem, no entanto, teve o visto para os Estados Unidos negado pelo consulado americano em São Paulo por falta de recursos financeiros. Konarzweski, com a ajuda de amigos e familiares, optou então por lançar sua campanha na internet, que atingiu milhares de brasileiros, incluindo celebridades como Neymar Jr. e Mariana Ruy Barbosa.

Print do site vakinha.com.br mostrando foto de Bethina no meio de um circulo verde tendo ao lado a imagem da contribuição recebida por Bethina no valor de 75 mil, o que representa 83 por cento do valor necessário para seu tratamento

Campanha conseguiu levar Bethina para tratamento de saúde no Chile. – Foto:Vakinha.com.br

À moda antiga

Não é de hoje o costume de pedir ajuda de outras pessoas para receber auxílio financeiro em prol de viagens, tratamentos, etc. As rifas foram e continuam sendo uma solução rápida e fácil de angariar fundos, sabendo que nem todos possuem acesso à internet para doar em sites especializados em arrecadação ou tampouco sabem da existência destas ferramentas digitais.

Por isso, além da manutenção de seu site linkado como leokz.com/campanha/, Leonardo ainda vende rifas para auxiliar nos gastos com a continuação de seu tratamento.

Crowdfunding brasileiro

Maior site de arrecadação de dinheiro do Brasil, o Vakinha.com.br se tornou, com o tempo, o lugar ideal para divulgar projetos que necessitam de apoio, como os brasileiros que dependem de ajuda médica mas não possuem condições para tal e tampouco encontram no Sistema Único de Saúde (SUS) qualidade em tratamento e eficácia.

Criado em 2009, por Fabrício Milesi e Luiz Felipe Gheller, o Vakinha.com.br vinha com a ideia de ser uma ferramenta simples e usual. No entanto, o site tomou proporções nunca imaginadas por seus desenvolvedores e, em apenas quatro anos, atingiu sua independência dos investidores. Hoje em dia, o portal é um dos maiores em sua área, possuindo cerca de 75% de suas campanhas destinadas a financiar tratamentos de saúde e cirurgias. Ele conta com cerca de 400 mil contas abertas e mais de 20 milhões de reais arrecadados.

Fotografia do entrevistado Jaderson sentado em um sofá

Mesmo sem vaquinha, Jaderson diz não ter desistido da viagem. Foto:Érica Baggio

Os doadores são, na maioria das vezes, pessoas desconhecidas de todo o Brasil que se identificam ou apoiam a causa e que, após a doação, seguem acompanhando através das redes sociais o desfecho da história de quem foi beneficiado com sua contribuição. O pagamento é feito por essas pessoas por meio de depósito, cartão de crédito, boleto e transferência bancária.

A abertura de uma conta no Vakinha.com.br, apesar de ser gratuita, exige certos pré-requisitos para que o usuário possa arrecadar com sua vaquinha. O editor de imagens, Jaderson Gadonski, 33 anos, conta ter tido interesse em se inscrever no site com o intuito de arrecadar dinheiro para uma viagem de trabalho pelo litoral gaúcho. Porém, desistiu da inscrição devido à alta burocracia que envolvia a entrada no site.

Analisando a página principal do site, nossa equipe pode perceber que a grande maioria das contas abertas na ferramenta digital são destinadas à arrecadação para tratar alguma doença. Outros pretextos para criação de uma vaquinha são doações para incêndios, enchentes, desabrigados e enfim, a                                                                  realização de projetos pessoais.                                                                                                   

                                                                       

Gráfico em formato circular que mostra que de uma análise feita na página inicial do site vakinha.com.br, 75 por cento das contas abertas são destinadas a tratamentos de doenças, 12,50 por cento destinadas a doações para incêndios e 12,50 por cento para realização de projetos pessoais.

75% das arrecadações são destinadas a tratamentos de doenças. Arte: Érica Baggio

 

Érica Baggio de Oliveira
Thaís Caroline de Freitas
Redação Jornalística II

 

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