Maria Frederica: A luta pela igualdade

À esquerda, Frida Kahlo com flores na cabeça e fumando um cigarro. À direita, Simone de Beauvouir segurando uma canetaFrida Kahlo e Simone de Beavouir-Foto: Divulgação

 

Homens escrevendo sobre feminismo? Pois é. Decidimos entender e mergulhar um pouco no universo feminista em busca de aprofundar nossos conhecimentos, entender esta organização de mulheres e claro, quebrar alguns tabus e preconceitos que possuímos. O foco central da nossa reportagem não poderia ser outro senão discorrer sobre Maria Frederica: primeiro coletivo de mulheres criado em nossa cidade, Frederico Westphalen.

Fundado no mês de maio de 2016, a Maria Frederica (MF) inicialmente era uma página no Facebook que fazia postagens sobre o feminismo. Após um projeto do Coletivo Plural, de Porto Alegre,“Mulheres cidadãs que podem”, que foi realizado no município de  Seberi, as atuais fundadoras motivaram-se com a ideia e resolveram transformar a página em um coletivo.

A importância da criação de um coletivo feminista, quando se trata de uma cidade do interior do estado como é Frederico Westphalen, é enorme. Criadas em uma tradição patriarcal, algumas pessoas acabam desenvolvendo um pensamento muitas vezes preconceituoso em algumas questões e é aí que entra o MF, como ressalta Letícia Stasiak, integrante do coletivo e estudante do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Santa Maria – Campus Frederico Westphalen (UFSM-FW):

 

Letícia Stasiak em uma praia, usando óculos de sol e casaco com listras

Letícia Stasiak componente do coletivo feminista-Foto: Facebook

– O Feminismo está no ar, nos grandes centros e nos lugarejos mais remotos que possamos imaginar. Aqui, não poderia ser diferente. A criação da MF é um sinal que as mulheres daqui querem falar sobre o patriarcado, e como nós somos violentadas e oprimidas por este modelo. Falar sobre isso e criar espaço para que a pauta feminista esteja presente em cidades como as da região é extremamente relevante. Em lugares menores, distantes de grandes centros, por mais que temos acesso à informação, perpetuam crenças e modelos que obstruem a liberdade das mulheres, impedindo-as de assumir o papel de donas de si. Existem instituições conservadoras que indiretamente ajudam a limitar que jovens percebam estas barreiras. Por estas e muitas outras barreiras que cidades menores imprimem no “ser mulher” – o Feminismo estava faltando há um bom tempo.

 

Luma usando uma blusa, ao fundo o mar

Luma Ferreira integrante do MF-Foto: Facebook

Uma das fundadoras do Coletivo Maria Frederica e que também é estudante do curso de Jornalismo da UFSM, Luma Pacheco Ferreira comenta sobre o coletivo:
– A importância de termos isso aqui em Frederico Westphalen ou de ter um coletivo de mulheres atuando é porque o machismo está em todos os cantos, todos os dias. Então a gente precisa se dar conta disso e quando as mulheres estão juntas elas têm muito mais força. A gente sofre assédio todos os dias e precisamos mostrar que não vamos baixar a cabeça para ninguém, que estamos aqui para dialogar com os homens pra os fazer entenderem que essa luta é nossa.

 

Mulher na política

Uma das participantes do Coletivo e que ajudou na sua criação é Chana Denti que foi candidata a vice-prefeita nas eleições deste ano. Criada em uma família militante, Chana afirma ter consciência de lutar contra qualquer tipo de injustiça: “Sempre tive um grande dever para com a sociedade que estamos construindo, com nossos semelhantes, com todos os homens e mulheres do mundo, tenho sensibilidade diante de qualquer injustiça. Sempre precisei discutir tudo aquilo que não era compreendido. Faz parte de mim esse dever com outros. Aprendi com meu pai e minha mãe que devemos lutar sempre para construir um mundo melhor e que não somos limitados as fronteiras de nosso território”. Chana também destaca o preconceito que uma mulher sofre quando está envolvida no meio político:

Chana Denti, sorridente com cachecol vermelho e jaqueta jeans.

Chana Denti, candidata a vice-prefeita de FW-Foto: Facebook

– Frederico é uma cidade muito conservadora e bairrista. Entrei para a disputa consciente que iria enfrentar inúmeros preconceitos, como: não ser natural de FW, ser mulher e ser jovem. Foi um grande desafio que me proporcionou um avanço nas lutas e na minha evolução pessoal. Infelizmente a dificuldade não é somente regional, é histórica em nosso País a ausência de mulheres na Política. O machismo está presente como um todo, ainda na sociedade, nos partidos, dentro de casa, nos sindicatos. Ele está presente em todas as relações sociais. As mulheres que chegam para participar das eleições já entram numa concorrência desigual. As que têm as mesmas condições financeiras e de apoio à candidatura, como os homens, são poucas. E aí reflete no resultado das eleições. Hoje sou mãe, sou militante da juventude e vice-presidente do Partido dos Trabalhadores de FW. Sou feminista, estou aprendendo todos os dias a lutar por um mundo com igualdade de gênero e sem qualquer tipo de discriminação. Nunca tive pretensão de ocupar nenhum cargo público e muito menos concorrer a cargos políticos, mas a necessidade veio ao meu encontro e eu percebi que se eu não ocupasse este espaço estaria me contradizendo como militante e como feminista.

Com isso a Maria Frederica e todos os coletivos feministas espalhados pelo nosso país fazem um trabalho necessário, tendo em vista a sociedade machista em que estamos inseridos. Diariamente as mulheres são vítimas de algum tipo de assédio, mas isso é “maquiado” pela nossa cultura.

“A MF é resultado do trabalho de uma Maria Frederica voluntária, que criou a marca para termos uma identidade perante a sociedade. Isso representa a doação que as envolvidas com o Coletivo MF estão fazendo em prol de si mesmas e de suas irmãs, oportunizando que um espaço assim crie corpo e venha a somar na vida de cada mulher em nosso município e demais municípios da região” ressalta Letíca.

Ícones do Feminismo

Historicamente várias mulheres se tornaram reconhecidas mundialmente por serem feministas e defenderem suas causas publicamente em tempos que o preconceito era mais aflorado que hoje. Frida Khalo e Simone de Beauvoir servem de inspiração para esta geração de mulheres que lutam pelos seus direitos. Frida foi uma artista que pintava quadros e embora que não retratassem o feminismo em si, ela sempre será lembrada por suas atitudes. Frida não se importava com os padrões impostos pela sociedade, tanto estéticos quanto comportamentais. Era independente ideologicamente e ainda se destacava em um mercado de trabalho dominado pelos homens. Já Simone foi uma ativista política, escritora, filósofa existencialista, feminista e teórica social francesa. Teve uma influencia significativa tanto no existencialismo feminista quanto na teoria feminista.

 

À esquerda, Frida Kahlo com flores na cabeça e fumando um cigarro. À direita, Simone de Beauvouir segurando uma caneta

Frida Kahlo e Simone de Beavouir-Foto: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Opinião

À vocês mulheres todo o respeito. À vocês mulheres toda a admiração por serem estas guerreiras. À vocês mulheres o pedido de desculpas por todas as vezes que somos preconceituosos e desrespeitosos. Conseguimos atingir o objetivo da reportagem. Conseguimos nos colocar no lugar de vocês e desconstruímos vários de nossos conceitos errôneos. Para finalizar de fato, uma frase marcante da feminista Letícia Stasiak: “Somos todas Marias. Marias soberanas! Donas da gente!”.

Augusto Streck
Renan Mallmann
Redação Jornalística II

Faça o primeiro comentário a "Maria Frederica: A luta pela igualdade"

Deixar uma resposta