Sabores da Praça

Carrinho de food truck estacionado na praça da catedral, com raios de sol ao fundoFood Truck estacionado na praça da catedral - Foto: Bruno Fiorini

Pequenos empreendedores que fazem história na praça da Matriz

Os trabalhos iniciam por volta das 17h30min, horário em que a sombra das torres da catedral toca o chão da praça. Porém, as atividades começam as 8h30min, quando Laérte dos Santos Nunes, mais conhecido como “Espetinho”, começa os preparativos escolhendo a carne, separando os cortes e ingredientes. O Espetinho visita inúmeros supermercados em busca dos melhores produtos para usar em sua churrasqueira.

O empreendedor passou por diversas dificuldades, desde cobrir a churrasqueira com lona até fidelizar a sua clientela, superou todos os empecilhos. “O começo não é fácil para ninguém, até conquistar os clientes, mas não posso reclamar, sustentei minha família com esta atividade”, comenta.

Laérte, selecionando e preparando os ingredientes – Foto: Bruno Fiorini

Há 18 anos na praça, Laérte, o Espetinho, procura sempre inovar, atualmente, pensa em adquirir um outro veículo, já que o ônibus que utiliza para seu comércio está bastante envelhecido. “Vou trocar este ônibus por um trailer, pois está muito estragado”, afirma. Além disso, Laérte explica que a higiene é fundamental para sobreviver nesse ramo. “O segredo é a qualidade, a higiene e o atendimento, são o principal”, finaliza.

Espetinho afirmou também que Frederico Westphalen é uma cidade boa para se trabalhar nesta área. “O ramo da alimentação é bom, os próprios viajantes de fora dizem que o município tem várias opções gastronômicas”. Mesmo com tantas sugestões e cardápios variados, Laérte salienta que a demanda utilizada por dia é cerca de 40 a 50 quilos de carne. Costela, frango, coração e calabresa são os mais pedidos.  Assim, o empreendimento oferece vários tipos de espetinhos salgados e, ainda, opções doce como espetinho de mashmellow.

Rainha do Bauru

O cheiro de carne acebolada toma conta da praça, não é difícil salivar ao passar perto do seu food truck. Às 19h os pedidos já começam a chegar. O ambiente é ao ar livre e requer uma atenção ainda maior do seu João, responsável pela limpeza e organização do local.

Marli, mais conhecida como Preta, sempre trabalhou como cozinheira e atualmente tem o seu próprio Food Truck, Preta Lanches. Enfrentando as mesmas dificuldades em fidelizar a clientela que Laérte, do churrasquinho.

Trabalhando na saída de casas de show da cidade, a mistura de carne e cebola chamava o pessoal para provar o novo lanche, hoje, o tão famoso Bauru. Os sabores e formatos foram se aperfeiçoando ao longo dos anos e, atualmente, eles servem 140 lanches por dia, os finais de semana são os dias de maior movimento.

Marli (Preta) e João atendendo os clientes – Foto: Letícia Souza

Desde 2002 trabalhando neste ramo, João aposta na criatividade, pedindo a avaliação dos clientes. Os lanches que recebem nota abaixo de sete pontos não entram no cardápio do food truck. “Sempre que lançamos um novo lanche pedimos para que o cliente avalie dando notas de 01 a 10, para que possamos decidir se o novo lanche entra ou não para a produção” afirma.

O bauru possui um sabor único, e questionada sobre a possibilidade de haver um ingrediente secreto, Preta conta que sim, “toda cozinheira usa um ingrediente secreto, só provando para tentar saber o que é” finaliza.

Bem passada ou no ponto?

A nutricionista Marcela Rabello, proprietária da empresa Alere saúde e bem estar, que exerce a profissão na cidade de São Paulo, dá algumas dicas sobre como proceder na hora de consumir os lanches.  “Sabendo que Food Trucks são lanchonetes expostas, é importante observar a limpeza e organização de bancadas, ficar atento quanto à manipulação dos alimentos, observar se os profissionais fazem o uso de luvas descartáveis para a manipulação ou se realizam a higienização correta das mãos é indispensável. É importante também, observar se os manipuladores utilizam toucas para contenção de cabelos”, comenta.

Espetinho, cachorro quente, baurú, hambúrguer, são alimentos recheados de carne, a nutricionista alerta sobre alguns cuidados que as pessoas devem ter na escolha dos produtos. “Na hora de escolher o melhor lanche ou tira-gosto, é preciso atentar ao ponto das carnes. Quando se trata de hambúrgueres ou espetinhos, deve-se sempre evitar o consumo de carnes mal passadas, pois oferecem o risco de contrair doenças, e evitar também carnes bem passadas ou “tostadas”, pois possuem substâncias cancerígenas, o ideal é o consumo de carnes ao ponto”.

Um lanche rápido e barato, sendo assim, consumido muitas vezes na semana, Marcela dá dicas de como encaixá-los na dieta: “o consumo desses tipos de produtos devem ser realizado com parcimônia e deixado preferencialmente para momentos específicos, como finais de semana, por exemplo, visto que a maioria destes produtos oferecem grandes níveis de gordura e açúcar, que não devem ser consumidos de forma exacerbada”, orienta.

Bruno Fiorini 
Letícia Souza 
Redação Jornalística II

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