No reencontro com Ronaldinho, torcida gremista é quem faz a festa

 

Torcedores comemoram a vitória tricolor. Foto: Jessica Hock.

O dia 30 de outubro de 2011 foi marcado pela volta do “ex- ídolo” gremista Ronaldinho Gaúcho (R10), que fez seu primeiro jogo como adversário do Grêmio no Olímpico. Mais de 40 mil torcedores compareceram ao estádio com o intuito de “acertar as contas” com aquele que já foi amado pelos gremistas.

Ao entrar em campo, o jogador foi recepcionado com gritos de “mercenário”, “pilantra”, “traidor” e uma chuva de dinheiros (notas) sem valor, em que algumas diziam: “100% traíra”. Mas alguns torcedores acabaram passando dos limites em alguns “trapos” com dizeres ofensivos não apenas ao jogador, mas também para sua família. Em cada toque na bola Ronaldinho recebia fortes vaias, juntamente com cantos que diziam: “Ronaldinho, vai se f@#$, o nosso Grêmio não precisa de você”. Nunca um jogador foi tão vaiado na história do Estádio Olímpico.

O jogo mais esperado do ano pelos gremistas não começou bem, o Flamengo teve mais posse de bola e movimentou-se melhor em campo na maior parte do primeiro tempo. O temor no estádio era visível.

Com uma cobrança de falta perto da grande área, Ronaldinho foi para a bola e acertou o travessão, e ainda assim por conta de um desvio na bola por parte do goleiro Victor. Minutos depois, em um passe errado de Gilberto Silva, a torcida calou-se instantaneamente quando percebeu que R10 estava prestes a abrir o marcador pela segunda vez, o que seria a pior coisa que poderia acontecer com uma torcida enfurecida e decepcionada.

Gilberto, que provocou esse momento de angustia e desespero, se redimiu, voltou na jogada, entrou de carrinho em Ronaldinho e tocou a bola para escanteio; assim, o estádio inteiro pode respirar aliviado.

Passados 20 minutos do primeiro tempo, os gremistas não acreditavam no que estavam vendo. Com um bom passe de Thiago Neves, Deivid abriu o placar no Olímpico. Pouco tempo depois, os rubro-negros ampliaram a vantagem para 2 x 0 com o gol de Thiago Neves, que recebeu de Léo Moura e chutou de direita – a bola desviou em Fernando e entrou para a rede.

Mesmo perdendo o jogo, a torcida gremista não parou de incentivar, com gritos de “vamo, vamo tricolor”. Ainda no primeiro tempo, André Lima descontou para o Grêmio. O jogador tricolor foi um dos destaques do time.

O técnico Celso Roth mudou para a segunda etapa: saiu o zagueiro Saimon e entrou o volante Adílson, com Gilberto Silva indo para a zaga. No decorrer da partida, o técnico Celso Roth trocou o lateral esquerdo Julio César por Bruno Collaço, e o meio campo Escudero pelo atacante Miralles, que teve seu nome ovacionado pela torcida desde o primeiro tempo.

No segundo tempo, André Lima não perdeu tempo e marcou, logo aos 5 minutos, o gol de empate do Tricolor. Um gol típico de atacante: frente a frente com o marcador, desviou a bola entre as pernas do adversário e mandou um chute no cantinho. Golaço!

O gol mudou o panorama da partida. Se o primeiro tempo foi praticamente todo do time carioca, a segunda etapa foi tricolor. O Grêmio melhorou e o Flamengo decaiu de rendimento. Se R10 teve alguns bons momentos na primeira etapa, na segunda não apareceu em praticamente nenhuma jogada.

Impulsionados pela avalanche e por gritos de “dá-lhe, dá-lhe, tricolor” vindos de todos os cantos do Estádio Olímpico, o Grêmio mostrou sua raça, sua vontade e entrou de vez no jogo.

Douglas, com um chute colocado fez o terceiro gol da tarde para a equipe tricolor, aos 34 minutos. A partir dai, os torcedores comemoravam o começo da ‘vingança’.

Aos 39 minutos finais, com Miralles em campo, o argentino adorado pela torcida mandou uma bomba, Grêmio 4 a 2, mais um golaço na conta, uma pintura, Neste instante, a vingança estava completa.

“Apesar de sairmos atrás no placar, conseguimos virar e sair com o resultado positivo, mesmo com muita dificuldade, mas isto mostra o poder do Imortal Tricolor, o que valeu a nossa vinda à Porto Alegre”, diz Ricardo Fontana, presidente da Geral do Grêmio da cidade de Rodeio Bonito.

 

Dayana Giacomini e Jessica Hock / Da Hora

 

 

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