As heranças gaúchas da copa

O que foi e o que fica para os anfitriões sulistas da Copa do Mundo 2014.

Richard Keys

Foto cedida por Richard Keys (camiseta cinza).

A Copa do Mundo terminou. Não haverá mais jogos, torcedores de todas as partes do mundo conhecendo o Brasil e Rio Grande do Sul. Não haverá mais reduzidos períodos de trabalho ou estudo. Também não mais assuntos futebolísticos estarão presentes nas rodas de chimarrão, nos quais torcedores tornam-se técnicos dos diversos países que participaram da copa de 2014. E agora, o sul do Brasil, que sediou jogos importantes do campeonato, se pergunta: “Quais são os benefícios pós-copa?”.

Mesmo que os brasileiros tenham presenciado a infeliz derrota do país nos jogos finais, há muito o que a cidade-sede no Rio Grande do Sul possa orgulhar os gaúchos. Para Alan Kevin Domiciano, que cursa Administração na Universidade Adventista de São Paulo, e veio para Porto Alegre visitar a família, os gaúchos em muito ganharam recebendo os jogos do campeonato. Ele acredita que, além de ser presenteado com a variedade de culturas, o estado teve, a partir da copa, uma maior visibilidade mundial. “Creio que houve uma mobilização maior em construir rodovias e estradas mais bem feitas para querer passar uma boa imagem”.

O otimismo desde o início era de os turistas moverem a economia. Contudo, aqueles que confeririam de perto das cidades-sede da Copa do Mundo observaram que muitos turistas não trouxeram tanto lucro quanto o esperado. Segundo Julia Lorena de Oliveira, que trabalha no Hospital de Clínicas de Porto Alegre como enfermeira, a copa não parece ter sido tão lucrativa para os gaúchos. Ela afirma que viu de perto muitos turistas acampando perto do estádio, dormindo no carro e não ocupando os hotéis.

Quem fica em Porto Alegre nota o quão diferente a cidade estava. Nomeada como uma das melhores sedes e mais bem preparadas para esta Copa do Mundo, além das melhorias no estádio Beira Rio, as avenidas que cercam o campo da capital gaúcha foram reformadas. Julia Lorena afirma que, ao se aproximarem os jogos, os cidadãos podiam conferir as melhorias na cidade. Houve também ajustes nas placas de informações para facilitar a mobilidade de turistas.

O graduando de Matemática da Universidade Federal de Curitiba, Eduardo Faucz, pôde visitar Porto Alegre entre os dias 11 e 19 de junho. Em comparação com a capital paranaense, que também sediou alguns jogos, ele acredita que os porto-alegrenses foram superiores aos curitibanos. “Pelo que percebi, havia em Porto Alegre várias pessoas elogiando as obras da copa e dizendo o quanto ficou diferente, e para melhor. Não percebi isso em Curitiba”.

A capital do estado pode presenciar a alegria dos turistas que visitaram o país para assistir aos jogos. Em meio a aproximadamente 75 países que visitaram Porto Alegre, os turistas Richard Keys e Samuel Belmar viajaram dos Estados Unidos para conhecer todo o país tropical. O carinho dos brasileiros foi o que mais conquistou os turistas americanos. Segundo Richard, os brasileiros são ótimos anfitriões. “Para mim, a recepção foi incrível! Todos foram tão amigáveis e pareciam felizes quando fomos visitar”. Os dois amigos passaram por Natal, Rio de Janeiro, Porto Alegre e São Paulo. O souvenir dos amigos será a eterna imagem de um país e estado que adora visitas e que provou que está pronto para recebê-las.

Fernanda Schuster / Da Hora

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