E quem não gosta de assistir a um bom filme na televisão? São muitas as histórias que encantam e fascinam nossos olhos, pois nos identificamos de certa forma. Os primeiros seriados de TV têm origem na década de 1950, época em que autores de romances publicavam suas obras em periódicos, cada capítulo em um dia diferente. Esse tipo de obra literária tornou-se muito popular em toda Europa, e mais tarde em toda América, incluindo o Brasil.
As principais características dos seriados é que eles não possuem uma duração exata, são baseados em temporadas, de acordo com o sucesso e o modo como atingem seu público alvo, deixando assim um grande espaço para se explorar os personagens e as histórias. São produtos de uma cultura que exerce forte impacto social por atingirem públicos de diversos lugares de todo o mundo e algumas vezes refletindo a realidade política, social, econômica e ideológica de cada grupo.
Esse tipo de programação geralmente acrescenta algo na vida de cada um de seus espectadores, como avalia o acadêmico do 4º semestre de Jornalismo da UFSM-FW Leonardo Fries. “É uma maneira que eu encontro muitas vezes de fugir dessa realidade que é o mundo real. Estando ali, assistindo àquele seriado que eu gosto, é como se eu fosse pra um mundo totalmente diferente. Tu entra na história e na cabeça dos personagens, é como se você fizesse parte daquele enredo”. Já para a acadêmica Juliana Medeiros, também de Jornalismo da UFSM-FW, seriados servem inclusive para testar seus conhecimentos a respeito de um outro idioma. “Nunca aprendi inglês na escola, mas, quando passei a assistir seriados, tanto a minha pronúncia como o meu vocabulário melhorou e muito”.
Vida de Seriador
Seriador é o modo como nos referimos às pessoas que assistem a séries, um pouco desconhecido ainda por parte de muitos, tanto que é até difícil encontrar um significado exato. Mas o que realmente é ser um viciado em seriados? Para a acadêmica do 4º semestre de Jornalismo Mariana Dal Forno, são vários os motivos que a levam a ter esse vício. “Tem vários motivos que considero para ser uma maníaca viciada em séries. Por exemplo, sempre quando uma série acaba, dá uma sensação de um vazio no coração, aí a gente sempre arruma uma novinha em folha pra tapar esse buraco”. Debora Theobald, também acadêmica de Jornalismo, acrescenta: “acho que, quando você assiste a dezessete séries, a atividade deixou de ser uma distração ou um hobby para se tornar um vício”. O vicio é tamanho que Leonardo por vezes prefere praticá-lo até mesmo durante a madrugada. “Tem vezes em que prefiro passar a madrugada toda assistindo a séries do que dormindo”.
A vida de um seriador nato não é das mais tranquilas. Jovens seriadores por vezes trocam aquela festa super badalada do fim de semana para assistir a suas séries em casa, sozinhos ou na companhia dos amigos. “Uma coisa que a gente faz muito é fazer as famosas junções na casa de algum amigo, pedimos pizza e ficamos a madrugada inteira de bobeira fazendo maratona de algum seriado ou de um filme também”, conta Mariana. Ela destaca a importância de saber administrar o tempo entre assistir aos seriados e também se divertir com os amigos.
Mas ainda tem aqueles que não gostam muito de sair e fazer festas, e optam por livre e espontânea vontade permanecer em casa em seu próprio mundo. “Os seriados me ensinaram muita coisa, enquanto uma boate não me ensina muita coisa. Não acho errado sair, até gosto de ir aos lugares que me fazem bem e aproveitar momentos com amigos e família. Nós, seriadores, não somos uns depressivos sem vida social, a única diferença é que em certos momentos preferimos a companhia de um meio ficcional à de pessoas reais”, relata Juliana.
Os seriadores possuem uma vida normal como todos. Porém, enquanto muitos optam por utilizar seu tempo livre com outras atividades, essas pessoas assistem a seus seriados favoritos, que não são poucos – variam de dezessete a setenta séries. São fascínios que geralmente surgem por indicações de amigos, como no caso da Debora, por ter um grande interesse por leitura e por esse mundo fictício.
Bruna Bueno / Da Hora

Eu confesso que sou um seriador. Assisto uma enorme quantidade de séries de drama e romance e também adoro novelas mexicanas.