Protesto contra o ENEM reúne centenas de alunos em Santa Maria

Estudantes percorreram as ruas do centro da cidade protestando contra o ENEM. Foto: Bianca Cassol.

Estudantes de cursos pré-vestibulares, escolas públicas e privadas e alguns universitários de Santa Maria mobilizaram-se em protesto contra o Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM. Centenas de alunos e professores percorreram o centro da cidade munidos de apitos, nariz de palhaço e um caminhão de som, de onde professores e alguns estudantes motivavam ainda mais os que protestavam.

A mobilização teve início às 11h30 desta sexta-feira. Após uma caminhada para o encontro com mais estudantes, os manifestantes reuniram-se na Praça Saldanha Marinho até as 13h. Por onde passaram, atraíram olhares e receberam apoio de muitos que estavam nas ruas e no comércio.

A mobilização se deu após ser constatado que 14 questões usadas no exame vazaram e estavam em uma apostila de um colégio de Fortaleza (CE), onde os alunos tiveram suas provas canceladas. Há a possibilidade do exame não ser utilizado na avaliação do vestibular da UFSM, como acreditam vários professores, dentre eles Odone Zago, já que as notas devem ser divulgadas até o dia 30 de dezembro. Odone lembrou ainda que, devido às confusões em edições anteriores, o exame está perdendo a credibilidade, e que uma possível causa para o vazamento das questões pode ser a grande quantidade de pessoas que têm acesso às provas, como por exemplo nas gráficas.

A opinião dos estudantes durante a manifestação era parecida, a maioria pedia o fim do uso do ENEM no vestibular, afirmando ser uma prova sem muita exigência dos alunos. A vestibulanda Geovana Pegoraro critica o uso de exame nos vestibulares de várias instituições, uma vez que já houve erros e problemas com as provas nos anos anteriores. A questão de ser aplicado em todo o país também é argumento para a falta de organização, como afirmou Fernanda, também vestibulanda, que se mostrou frustrada com o vazamento de questões, ela que faz as provas do ENEM pelo segundo ano e nas duas vezes o exame apresentou problemas. Segundo ela, o exame deveria ter uma comissão especial para a elaboração das provas, o que poderia evitar os problemas.

Uma opinião parecida possui Edina Zaparoli, que acredita que o ENEM é um exame que não qualifica os alunos que se dedicam um ano inteiro. Ela ressalta novamente a falta de organização e a frustração de vestibulandos que se preparam para as provas das instituições que, após as falhas do ENEM, acabam por não utilizar as notas do exame.

Todos agora aguardam ansiosos pelo desfecho do caso, enquanto continuam se preparando para os vestibulares que já se aproximam do início.

 

Bianca Cassol / Da Hora

 

 

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